Saúde

Parkinson avança com envelhecimento e exige atenção a sinais 'invisíveis'

Alterações no sono, no olfato e na saúde mental podem surgir anos antes dos sintomas motores, mas novas terapias ampliam controle da doença

20 ABR 2026 • POR Emilly Constanci • 06h51
Brasil caminha para se tornar o quinto com mais casos no mundo. (Foto: Freepik)

Com o envelhecimento acelerado da população, a doença de Parkinson é uma das que despertam a atenção para sinais iniciais pouco conhecidos, que podem atrasar o diagnóstico. Sintomas como alterações no sono, perda de olfato e mudanças na saúde mental podem surgir anos antes dos tremores e da rigidez muscular, dificultando a identificação precoce da doença.

O país caminha para se tornar o quinto com mais casos no mundo, superando 200 mil diagnósticos e atingindo cerca de 1% da população acima dos 60 anos. Considerada a segunda doença neurodegenerativa mais comum, o Parkinson também acompanha o avanço da longevidade, tendência observada em diferentes regiões.

Em Mato Grosso do Sul, o cenário segue a mesma direção. Levantamento com base em 2022 aponta que o Estado tem cerca de 391,1 mil idosos, o que reforça a necessidade de atenção às doenças relacionadas ao envelhecimento, como o Parkinson.

A médica clínica do Hospital do Coração em Campo Grande, Dra. Janda de Oliveira Campos Ramos, explica que o diagnóstico precoce depende da observação desses sinais menos evidentes. “O Parkinson é frequentemente associado apenas ao tremor, mas ele é apenas a ponta do iceberg. Sintomas como perda de olfato, distúrbios do sono, depressão e ansiedade podem surgir anos antes das alterações motoras”, afirma.

Segundo a especialista, quando os sintomas motores aparecem, a doença já está em estágio avançado. “O diagnóstico precoce é o primeiro desafio, pois estima-se que, quando os primeiros sintomas motores aparecem, o paciente já tenha perdido de 60% a 80% dos neurônios dopaminérgicos”, explica.

Além dos tremores, outros sinais incluem rigidez muscular, lentidão de movimentos, alterações na escrita e mudanças na postura. Já entre os sintomas não motores, destacam-se dificuldade para sentir cheiros, distúrbios do sono, como falar ou se movimentar durante a noite, e quadros de depressão e ansiedade. “Muitas pessoas descobrem a doença em estágios avançados porque os sintomas iniciais são confundidos com o envelhecimento normal. É essencial procurar ajuda médica ao perceber tremor persistente ou qualquer mudança progressiva nos movimentos”, reforça.

O tratamento também passa por avanços recentes. Em 2026, novas terapias aprovadas pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) ampliam as possibilidades de controle da doença. Entre elas, está a infusão subcutânea contínua Produodopa, indicada para reduzir os períodos de imobilidade em estágios mais avançados, e o Tavapadon, um agonista seletivo que surge como alternativa com menos efeitos colaterais.

Mesmo com as inovações, o cuidado com o paciente exige abordagem multidisciplinar e participação ativa da família. “O médico clínico possui papel fundamental na identificação inicial da doença e em quais etapas o paciente seguirá o tratamento”, afirma a médica. Ela destaca ainda a importância do apoio cotidiano. “O apoio envolve estimular a autonomia do paciente, auxiliá-lo na rotina das medicações e incentivá-lo na prática de atividades físicas, além da socialização, fundamental para preservar a qualidade de vida por muitos anos”, completou.

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