População de MS tem 80% da renda vinda do trabalho e apenas 16,4% recebem Bolsa Família
8 MAI 2026 • POR Redação/EC • 10h00Mais de 80% da renda das famílias de Mato Grosso do Sul vem do trabalho, e o Estado aparece entre os menos dependentes de programas sociais no Brasil. É o que revelam os dados da ‘PNAD Contínua – Rendimento de Todas as Fontes 2025’, divulgada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta sexta-feira (8).
A pesquisa mostra um perfil econômico fortemente sustentado pelo mercado de trabalho, com renda domiciliar per capita de R$ 2.369, acima da média nacional, e menor participação de benefícios sociais na composição financeira dos domicílios.
Brasil bate recorde de rendimento em 2025
No panorama nacional, os dados da PNAD apontam que 2025 registrou recordes históricos de renda no país. Entre os destaques, 67,2% da população brasileira possuía algum tipo de rendimento, o equivalente a 143 milhões de pessoas. O rendimento médio de todas as fontes chegou a R$ 3.367, enquanto a renda domiciliar per capita alcançou R$ 2.264. Já o rendimento médio do trabalho cresceu 5,7% no último ano.
Segundo o IBGE, esse avanço foi impulsionado principalmente pelo fortalecimento do mercado de trabalho e pela expansão da renda nas faixas de menor rendimento desde 2019.
Em 2025, o rendimento de todos os trabalhos correspondeu a aproximadamente três quartos (¾) do rendimento médio mensal real domiciliar per capita no Brasil, mantendo-se próximo do patamar registrado em 2024.
Trabalho como principal fonte de renda em MS
Para 80,7% da população de Mato Grosso do Sul, a renda domiciliar per capita tem origem no trabalho. O percentual está acima da média brasileira, de 75,1%, e coloca o Estado no 3º maior índice do país. Os dados consideram pessoas ocupadas de 14 anos ou mais.
No Centro-Oeste, a participação do rendimento do trabalho na composição da renda domiciliar per capita chegou a 78,9%, enquanto no Nordeste ficou em 67,4%.
Os maiores percentuais do país foram registrados em Roraima: 83,3%, em Mato Grosso: 83,3% e em Mato Grosso do Sul: 80,7%.
Na prática, o indicador mostra que os sul-mato-grossenses dependem menos de aposentadorias, pensões e programas sociais para compor o orçamento familiar.
MS está entre os estados menos dependentes de programas sociais
Outro dado que reforça esse perfil econômico é o percentual de domicílios atendidos por programas sociais. Em Mato Grosso do Sul, 16,4% das residências tinham beneficiários do Bolsa Família, BPC-Loas (Benefício de Prestação Continuada) ou outros programas governamentais em 2025. O índice ficou abaixo da média nacional, de 22,7%.
Até dezembro de 2025, o Estado contabilizava 180.357 famílias beneficiárias do Bolsa Família e 113.524 pessoas atendidas pelo BPC.
No ranking nacional, Mato Grosso do Sul ocupa a 23ª posição no número de domicílios atendidos por programas sociais, ficando entre os cinco estados com menor proporção de beneficiários. Apenas São Paulo (12,8%), Paraná (11,7%), Rio Grande do Sul (11,5%) e Santa Catarina (6,9%) registraram percentuais menores.
Conforme o IBGE, as regiões Norte e Nordeste seguiram concentrando os maiores percentuais de domicílios com beneficiários dos dois principais programas sociais do país, Bolsa Família e BPC-Loas. Já a Região Sul registrou os menores índices.
Entre os estados com maior percentual de domicílios atendidos por benefícios do governo estão:
Pará: 46,1%;
Maranhão: 45,6%;
Piauí: 45,3%;
Alagoas: 41,7%;
Amazonas: 40,8%.
Os dados mostram ainda que, entre 2024 e 2025, a proporção da população que recebe rendimentos de programas sociais permaneceu praticamente estável, ainda em patamar superior ao observado antes da pandemia.
Renda em MS supera média do Brasil
A renda domiciliar per capita em Mato Grosso do Sul chegou a R$ 2.369 por pessoa em 2025, valor acima da média nacional, de R$ 2.264. Apesar disso, o rendimento no Estado ainda é cerca de 40,8% inferior ao do Distrito Federal, que lidera o ranking nacional com renda média de R$ 4.001 por habitante.
Os locais com maiores rendas per capita são:
Distrito Federal: R$ 4.001;
São Paulo: R$ 2.862;
Paraná: R$ 2.687;
Goiás: R$ 2.378;
Mato Grosso do Sul: R$ 2.369.
Entre os estados do Centro-Oeste, Mato Grosso do Sul apresentou o terceiro maior rendimento médio mensal real domiciliar per capita da região, atrás apenas do Distrito Federal e de Goiás. Mato Grosso registrou R$ 2.297.
Na outra ponta do ranking nacional, os menores rendimentos per capita foram observados no Maranhão (R$ 1.231), Acre (R$ 1.372), Ceará (R$ 1.379) e Alagoas (R$ 1.401).
Aposentadorias e pensões lideram renda complementar no país
Mesmo com o avanço da renda do trabalho em 2025, aposentadorias e pensões seguiram como a principal fonte complementar de renda dos brasileiros, alcançando 13,8% da população, o equivalente a 29,3 milhões de pessoas. Em seguida aparecem os programas sociais do governo, que atenderam 9,1% da população, cerca de 19,4 milhões de brasileiros.
Além da renda do trabalho, o IBGE considera como “outras fontes de rendimento” os valores recebidos por aposentadoria e pensão, aluguel e arrendamento, pensão alimentícia, doações e mesadas, programas sociais do governo, seguro-desemprego, seguro-defeso, aplicações financeiras, bolsas de estudo e direitos autorais, entre outros.
Entre as fontes de renda complementar no Brasil estão:
Aposentadoria e pensão — 13,8% da população;
Programas sociais do governo — 9,1%;
Pensão alimentícia, doações e mesadas de não moradores — 2,3%;
Aluguel e arrendamento — 1,9%;
Outros rendimentos — categoria que inclui seguro-desemprego, aplicações financeiras, bolsas de estudo, direitos autorais e exploração de patentes — 1,9%.
No Centro-Oeste, 22,2% da população recebia algum tipo de rendimento vindo de outras fontes, abaixo da média brasileira, de 27,1%.
Na região, as principais fontes complementares de renda foram:
Aposentadoria e pensão — 10,7% da população;
Programas sociais do governo — 6,9%;
Aluguel e arrendamento — 2,5%;
Pensão alimentícia, doações e mesadas de não moradores — 2,3%;
Outros rendimentos — 1,8%.
A participação de aposentadorias e pensões entre a população brasileira vem crescendo gradualmente ao longo da série histórica. Em 2012, esse rendimento alcançava 11,7% da população; em 2019, passou para 13,1%; mas em 2025, atingiu o maior percentual da série, com 13,8%.
Já os programas sociais mantiveram estabilidade entre 2024 e 2025, mas permaneceram acima do patamar registrado antes da pandemia. Entre as categorias de outras fontes de renda, o maior crescimento no último ano ocorreu justamente em “outros rendimentos”, que avançou de 1,5% para 1,9% da população.
Os dados indicam ainda que a dependência da renda do trabalho é maior no Centro-Oeste. Em 2025, os rendimentos do trabalho responderam por 78,9% da composição do rendimento domiciliar per capita da região, acima da média nacional, de 75,1%.
Em contrapartida, aposentadorias e pensões representaram 13,7% da composição da renda domiciliar regional, uma das menores participações do país. Já os programas sociais responderam por 2,3% da composição da renda domiciliar, também abaixo da média nacional, de 3,5%.
Centro-Oeste lidera crescimento da renda no país
Embora o IBGE não detalhe todos os indicadores individualmente por estado, Mato Grosso do Sul aparece inserido em um cenário regional de forte expansão econômica. Em 2025, o Centro-Oeste liderou os principais indicadores nacionais de renda, tanto no rendimento total quanto no rendimento do trabalho.
O rendimento médio mensal de todas as fontes na região chegou a R$ 4.052, maior valor do país, à frente do Sul (R$ 3.859) e do Sudeste (R$ 3.855). Nas demais regiões, os valores ficaram em R$ 2.572 no Norte e R$ 2.282 no Nordeste.
Conforme a PNAD Contínua, o rendimento médio de todas as fontes no Centro-Oeste cresceu 9% em relação a 2024, maior alta regional do Brasil. Na comparação com 2019, o avanço acumulado foi de 18,1%.
O rendimento médio do trabalho também colocou o Centro-Oeste na liderança nacional. Em 2025, a renda média do trabalho na região atingiu R$ 4.133, acima do Sul (R$ 4.026), Sudeste (R$ 3.958), Norte (R$ 2.777) e Nordeste (R$ 2.473).
Na comparação anual, o rendimento do trabalho no Centro-Oeste avançou 9,5% frente a 2024. Já em relação a 2019, o crescimento acumulado chegou a 19,5%, também o maior registrado no Brasil.
Segundo o IBGE, o desempenho foi impulsionado principalmente pelo fortalecimento do mercado de trabalho, pelo aumento da população ocupada com rendimento e pela alta do rendimento médio dos trabalhadores.
Massa salarial cresceu mais de 37% desde 2019
A massa de rendimento do trabalho, indicador que mede o volume total de recursos movimentados pela renda do emprego, também apresentou forte expansão no Centro-Oeste.
Em 2019, o volume total era de R$ 26,7 bilhões, mas saltou para R$ 36,6 bilhões em 2025. O crescimento registrado aponta para alta de 11,6% frente a 2024 e avanço acumulado de 37,2% desde 2019.
Desigualdade aumenta mesmo com avanço da renda
Apesar do crescimento da renda e do fortalecimento do mercado de trabalho, o IBGE aponta que a desigualdade voltou a crescer no Centro-Oeste em 2025.
A região registrou a maior alta do índice de Gini do rendimento do trabalho entre todas as regiões do País.
O indicador passou de 0,464 em 2024 para 0,485 em 2025. O índice varia de 0 a 1, sendo que 0 representa igualdade perfeita — quando todos possuem a mesma renda — e 1 indica desigualdade máxima, cenário em que toda a renda fica concentrada em uma única pessoa.
Em 2025, os índices regionais ficaram em:
Nordeste: 0,507;
Brasil: 0,491;
Centro-Oeste: 0,485;
Sudeste: 0,482;
Norte: 0,477;
Sul: 0,445.
Os dados mostram que, embora a renda tenha aumentado, parte desse avanço ficou concentrada nas faixas de maior rendimento.
O Nordeste permaneceu como a região mais desigual do País, mantendo ao longo da série histórica os maiores níveis de concentração de renda do trabalho. Já a Região Sul apresentou o menor índice de Gini em 2025, indicando a distribuição de renda mais equilibrada entre as regiões brasileiras.
Entre 2022 e 2025, o índice de desigualdade oscilou pouco no Brasil, permanecendo próximo dos menores níveis da série histórica e abaixo dos patamares registrados em 2018 e 2019, de acordo com a PNAD.
O levantamento também aponta que, na comparação com 2019, houve crescimento mais intenso do rendimento do trabalho entre os 20% da população ocupada com menores rendimentos. No entanto, entre trabalhadores de renda mais alta, o crescimento foi proporcionalmente menor, fator que contribuiu para a redução da desigualdade no acumulado do período.
Ainda assim, de 2024 para 2025, o Centro-Oeste destoou das demais regiões ao apresentar a maior alta anual do índice de Gini, enquanto os demais recortes regionais permaneceram próximos da estabilidade. No comparativo de longo prazo, a maior redução da desigualdade ocorreu no Nordeste, onde o indicador caiu de 0,527 em 2019 para 0,507 em 2025.
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