Silencia a voz de Sidney Assis, mas ecoa eternamente o seu legado. Foto: Divulgação
Um silêncio estranho, pesado, daqueles que não vêm da ausência de som, mas da falta de uma voz que fazia parte do cotidiano. Aos 57 anos, partiu Sidney Assis (in memoriam) e com ele, calou-se um dos maiores símbolos da comunicação regional. Para muitos, não morreu apenas um radialista. Morreu um companheiro de todas as manhãs, um vigilante da notícia, um defensor incansável do direito de saber. Coxim ficou órfã.
Sidney Assis foi mais do que um nome no rádio. Foi presença. Foi constância. Foi confiança. Por mais de 20 anos, construiu uma trajetória sólida, respeitada e profundamente enraizada na história da Rádio Vale do Taquari. Ali, moldou um estilo próprio de fazer jornalismo, direto, firme, humano, comprometido com a verdade e com a população. Não lia apenas notícias, interpretava a realidade, contextualizava os fatos e dava voz a quem, muitas vezes, não era ouvido.
Seu programa, "Coxim Precisa Saber", tornou-se muito mais do que um espaço jornalístico. Virou um símbolo. Um chamado diário à transparência, à responsabilidade e à cidadania. O bordão, repetido com convicção, atravessou gerações e se transformou em marca registrada, em identidade coletiva. Quando Sidney dizia "Coxim Precisa Saber", não era apenas uma frase de efeito era um compromisso público, quase um juramento.
Sidney viveu e ajudou a construir diferentes fases do rádio local. Esteve presente quando a informação ainda chegava com mais dificuldade, quando o rádio era o principal elo entre o fato e a população. Correspondente do Campo Grande News, levou a região norte de Mato Grosso do Sul para o cenário estadual, ampliando horizontes e mostrando que o interior também produz notícias relevantes, histórias fortes e personagens reais.
Sidney acompanhou a cidade em seus momentos mais difíceis e também nos dias de esperança. Esteve nas madrugadas longas, cobrindo ocorrências policiais, enfrentando cenas duras, tragédias, injustiças. Sempre com ética, respeito e responsabilidade. Nunca explorou a dor, transformava o fato em informação e a informação em alerta social. Seu microfone foi instrumento de serviço público, sua voz, escudo da população.
Mas Sidney Assis não se limitou à comunicação. Levou sua credibilidade e seu compromisso com o povo para a vida pública. Elegeu-se vereador por dois mandatos, atuando de forma participativa e presente no Legislativo Municipal. Na Câmara, manteve a mesma essência que o consagrou no rádio: escuta atenta, posicionamento firme e defesa dos interesses coletivos. Nunca se afastou das ruas, nunca perdeu o contato com o cidadão comum.
Nas últimas eleições, o reconhecimento veio novamente das urnas. Com votação expressiva, foi o quarto mais votado, tornando-se primeiro suplente. Um resultado que não se mede apenas em números, mas em confiança. Confiança construída ao longo de décadas de trabalho sério, coerente e próximo da população. Mesmo fora do mandato, Sidney continuou atuante, opinando, cobrando, acompanhando os rumos da cidade porque sua ligação com Coxim sempre foi maior do que cargos ou funções.
Sidney tinha voz, tinha estilo, tinha alma. Tinha coragem para questionar e sensibilidade para compreender. Era duro quando precisava ser, humano quando a situação exigia. Sabia que informar também é cuidar. Por isso, conquistou respeito, admiração e carinho. Hoje, são inúmeros os ouvintes que se sentem órfãos, como se tivessem perdido alguém da família. Porque Sidney entrava todos os dias nas casas, nos carros, nos comércios, fazendo parte da rotina de Coxim.
A cidade perdeu um comunicador, perdeu um homem público, perdeu um cidadão ativo. Mas ganha a eternidade da memória. Seu legado permanece nas ondas do rádio, nas reportagens, nas cobranças, nas decisões, nas frases que ficaram marcadas. Sua voz se cala, mas sua história continua falando alto.
Hoje, Coxim precisa saber quem foi Sidney Assis. Precisa lembrar, reconhecer, agradecer. Precisa entender que algumas vozes não se apagam se transformam em eco.
O Silêncio do Microfone, o Eco de uma Voz
Por: Glenda Melo
Silenciou o microfone,
mas não calou a verdade.
A voz que acordava a cidade
agora ecoa na saudade.
Entre notícias e madrugadas,
fez do rádio um abrigo,
do fato, compromisso,
do povo, seu maior amigo.
Falou quando muitos se calaram,
questionou quando poucos ousaram,
informou, protegeu, alertou,
com a coragem de quem nunca recuou.
Coxim chora em uníssono,
sentindo um vazio no ar.
Mas aprende, entre lágrimas e memória,
que há vozes que nunca vão cessar.
Porque quem viveu para informar,
nunca parte por completo.
Fica no tempo, na história, no afeto.
Sidney Assis não se foi
apenas mudou de estação.
E seguirá, eterno, dizendo à cidade:
Coxim precisa saber.
Fonte: Glenda Melo/Diário do Estado