Coxim com outros olhos

Entre o céu, a fé e o infinito: o Cristo Redentor do Pantanal e a alma de Coxim

4 MAI 2026 - 13h:58 Por Redação/WK
Cristo Redentor do Pantanal em Coxim. Foto: Silas Ismael Cristo Redentor do Pantanal em Coxim. Foto: Silas Ismael

Existem lugares que não se resumem a um ponto no mapa. Não cabem em uma legenda de fotografia, nem em uma simples recomendação turística. São espaços que carregam história, sentimento, identidade. Lugares onde o tempo parece desacelerar e a vida ganha outro ritmo. Em Coxim, esse lugar tem nome, altura e significado: o imponente Cristo Redentor do Pantanal.

Erguido no topo do Morro do Criminoso, no início da estrada pantaneira, o Cristo não apenas observa a cidade ele a envolve. De braços abertos, acolhe quem chega, protege quem parte e acompanha, silenciosamente, o cotidiano de uma Coxim que pulsa lá embaixo. Mas engana-se quem pensa que a experiência começa ao chegar ao topo. Ela começa muito antes, no primeiro olhar, no primeiro passo, na decisão de subir.

Um sonho que venceu o tempo

Antes de ser concreto, altura e paisagem, o Cristo foi sonho.Um sonho que nasceu no coração do advogado Pedro Ronny Argerin e do empresário  Evaristo Khol, o sonho que se tornou realidade.

E foi assim que, no dia 10 de outubro de 2010, esse sonho ganhou forma e altura, desde então, deixou de ser apenas geográfico para se tornar espiritual, turístico e emocional.

431 degraus: uma jornada que vai além do corpo

Subir até o Cristo é mais do que um deslocamento físico. É uma experiência.

São 431 degraus que conduzem até o topo. Um caminho que exige fôlego, mas que entrega muito mais do que esforço. Cada passo é uma pausa na rotina, uma oportunidade de se desconectar do barulho do mundo e se reconectar consigo mesmo.

Ao longo da escadaria, as 12 estações da Via Sacra transformam o trajeto em um percurso de reflexão. Ali, fé e silêncio caminham lado a lado. Pessoas sobem em oração, em agradecimento, em busca de respostas ou simplesmente de paz.

E não há necessidade de pressa. O caminho pede calma. Pede olhar atento. Pede presença.

A cada parada, a cidade começa a se revelar. Primeiro tímida, depois mais ampla, até se abrir completamente diante dos olhos. Lá embaixo, o Rio Taquari desenha seu curso com tranquilidade, cortando Coxim e lembrando a todos a força da natureza que sustenta a região.

Entre trilhas e desafios: o Cristo também é movimento

Mas nem só de contemplação vive o morro.

Para os que buscam desafio, as trilhas naturais oferecem um cenário perfeito. O terreno acidentado e a vegetação criam percursos ideais para caminhadas mais intensas, ciclismo e até motociclismo. Não é raro ver praticantes enfrentando o morro como um verdadeiro teste de resistência, quase um “enduro” em meio ao Pantanal.

É nesse contraste que o Cristo se torna ainda mais fascinante: ao mesmo tempo em que convida ao silêncio, também impulsiona o movimento. Ao mesmo tempo em que inspira fé, desafia o corpo. Tudo coexistindo em harmonia.

O topo: onde a cidade encontra o infinito

E então, depois da subida, vem o encontro.

Lá do alto, Coxim se revela por inteiro. Não apenas como cidade, mas como paisagem viva. As ruas, as casas, as árvores, as histórias tudo se encaixa como um mosaico que só pode ser compreendido quando visto de cima.

O Rio Taquari serpenteia o horizonte, refletindo o céu e criando um espetáculo natural que muda a cada hora do dia.

O amanhecer é suave, quase silencioso. A luz chega devagar, tocando cada canto da cidade com delicadeza.

O entardecer, por sua vez, é grandioso. O céu se transforma em uma tela viva, com cores que vão do dourado ao vermelho intenso. Um espetáculo diário, gratuito e inesquecível.

Ali, o vento sopra diferente. O tempo desacelera. O silêncio fala.

E quem chega entende: não se trata apenas de ver. Trata-se de sentir.

Café com Cristo: fé que se compartilha

Aos pés do monumento, a experiência ganha um novo significado através de uma iniciativa que se tornou tradição em Coxim.

Há sete anos, o “Café com Cristo” reúne pessoas nas primeiras horas do dia para momentos de oração, reflexão e convivência. Um encontro simples, mas profundamente significativo.

O Café com Cristo foi Idealizado pelo jornalista Adelino Alexandre, com a participação do empresário Cláudio Pesso, do radialista Aloísio Guirra, de Flávio Augusto Magalhães e de Dorvalino Azevedo, o movimento cresceu e hoje reúne cerca de 76 participantes.

Ali, entre o aroma do café e o silêncio da manhã, a fé se fortalece, amizades se constroem e a comunidade se une.

Mais do que um encontro, é um gesto coletivo de espiritualidade.

Um lugar para todos e de todos

O Cristo Redentor do Pantanal não pertence a um grupo específico. Ele é de todos.

É do morador que sobe pela centésima vez
Do visitante que chega pela primeira vez
Do atleta que busca desafio
Do fiel que busca oração
Do fotógrafo que busca o clique perfeito
Do curioso que busca algo diferente.

A visitação é aberta e gratuita, reforçando o caráter acolhedor do espaço. Mas, junto com esse privilégio, vem também a responsabilidade: preservar.

Levar água, usar protetor solar, vestir roupas leves, usar calçados adequados tudo isso ajuda na experiência. Mas o mais importante é simples: cuidar do lugar. Levar de volta o próprio lixo. Respeitar o espaço. Entender que aquela paisagem precisa continuar existindo para os próximos olhares.

Olhar com outros olhos

Talvez o maior valor do Cristo Redentor do Pantanal não esteja apenas na sua altura, na sua vista ou na sua história.

Talvez esteja na forma como ele nos ensina a olhar.

Olhar para a cidade com mais carinho
Olhar para o tempo com mais calma
Olhar para a vida com mais presença

Porque, no fim, subir o morro do Cristo não é apenas alcançar um ponto alto.

É enxergar Coxim de um jeito diferente.

E, quem sabe, enxergar a si mesmo também.

Lá do alto, entre o céu aberto, o verde que se estende e o curso sereno do Taquari, fica uma certeza silenciosa:

Alguns lugares não são apenas visitados.
Eles transformam.

Glenda Melo/Diário do Estado MS

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