São Gabriel do Oeste

Nuvem rara reaparece no céu de São Gabriel do Oeste

19 FEV 2026 - 17h:13 Por Redação/EC
Nuvem funil foi vista duas vezes consecutivas em São Gabriel do Oeste (Reprodução, Leitor Midiamax) Nuvem funil foi vista duas vezes consecutivas em São Gabriel do Oeste (Reprodução, Leitor Midiamax)

Pelo segundo dia consecutivo, o município de São Gabriel do Oeste registrou a formação de uma nuvem funil no céu, surpreendendo os moradores mais atentos. O fenômeno também foi registrado em Bandeirantes, durante a tarde de quarta-feira (18). Segundo Vinícius Sperling, meteorologista do Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima), embora raro, o fenômeno pode ocorrer mais vezes nestes primeiros meses de 2026, já que as atuais condições meteorológicas favorecem sua formação.

O especialista explica que, para o fenômeno acontecer, é preciso haver instabilidade atmosférica. Esta condição, por sua vez, resulta de alguns fatores, como: o calor intenso – como o registrado nos últimos dias -, um cavado, fluxo de umidade ou uma frente fria. Em Mato Grosso do Sul, principalmente na região centro-norte, há muita instabilidade, o que explica as aparições ‘frequentes’ do fenômeno.

“Essa instabilidade, junto ao calorão dos últimos dias, pode estar contribuindo para essa instabilidade termodinâmica, que é um fator fundamental. O tornado, essa nuvem funil, essa nuvem mais intensa, precisa ter instabilidade termodinâmica e cisalhamento do vento – que é uma grande variação do vento, quando ele muda de direção muito rápido – para crescer”, explica.

Com tantos fatores atmosféricos influenciando as condições meteorológicas sobre Mato Grosso do Sul nos últimos dias, é possível que a nuvem funil seja avistada novamente nas próximas semanas.

“Pode ocorrer mais algumas vezes, principalmente nesses próximos dias agora, porque a gente teve o enfraquecimento do anticiclone em médios níveis, responsável por aquele tempo mais firme, aquele calor insuportável de sábado, domingo, segunda e terça, aquele calorão do Carnaval com algumas pancadinhas [de chuva] bem isoladas. Então, sim, pode ocorrer novamente, como ocorreu ontem e hoje”, frisa.

Quantos registros foram feitos em 2026? 

O meteorologista explica que, apesar da formação de nuvens bastante intensas, não houve registro das nuvens supercélulas, responsáveis pela origem de tornados. A diferença entre estes dois fenômenos é que a nuvem funil é formada por ventos rotativos que não tocam o solo (como o tornado) e se originam de uma nuvem intensa, a cumulonimbus.

No entanto, não é possível contabilizar quantas nuvens funis foram registradas em Mato Grosso do Sul durante 2026, pois não há registros oficiais que possibilitem a contagem. Segundo Vinícius, o Brasil não possui registros oficiais de tempo severo.

“Nosso estado é grande e de baixa densidade populacional. Na maioria das vezes, [as nuvens] sequer são filmadas ou catalogadas. E, como disse, podem ocorrer em regiões não habitadas. O que podemos ver, com base nas notícias e não em evidência científica de catalogação, é um grande número de tempestades severas nessa temporada, tanto no sul do Brasil quanto no sudeste e centro-oeste”, explica.

Em janeiro, o Midiamax publicou uma matéria noticiando a formação de uma nuvem funil em Campo Grande. Relembre o caso clicando aqui: VÍDEO: Nuvem funil surpreende moradores antes de temporal em Campo Grande.

Ao visualizar o fenômeno, o que fazer?

Em um vídeo enviado ao Midiamax, um morador se surpreende com a formação do fenômeno. Assustado, ele diz: “A hora que bater no chão, vai arrancar tudo, telhado, tudo. Tempão aqui [em São Gabriel do Oeste]”.

Há riscos de fato? Segundo Vinícius, sim! “Quando ela [nuvem funil] toca o solo e gera ventos fortes, configura um tornado e ele tem alto potencial destrutivo. Claro que varia as categorias, para saber o tanto de dano que ele vai causar. Lembrando que o tornado e a nuvem funil são fenômenos que duram alguns segundos a alguns minutos, uma coisa de curta duração”.

Então, ao avistar uma nuvem funil, o que fazer? O meteorologista explica que não há nada de errado em apreciar o fenômeno que, de fato, é surpreendente. No entanto, é importante que os moradores estejam atentos, afinal, se a nuvem ‘descer’ muito rápido e este funil tocar o solo, pode gerar um tornado com efeitos destrutivos.

“A pessoa pode filmar, apreciar tranquila, mas é importante que ela tenha o receio e a preocupação de que aquilo pode evoluir de uma forma muito rápida e virar um potencial tornado. No Brasil, a gente não tem esse tipo de previsão de tornado, porque para fazer a previsão de tornado, tem que seguir nuvem a nuvem. Se tem uma mais intensa, tem que monitorar com radar e outras ferramentas”, pontua.

“Então, viu uma nuvem funil, fica de longe, com atenção, e se ela evoluir rápido, que as pessoas tomem uma precaução para se proteger”, finaliza.

Midiamax

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