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MS abre semana contra feminicídio com app que identifica relações tóxicas

Campanha que começa no Dia Estadual de Combate ao Feminicídio acontecerá em 11 cidades

1 JUN 2026 - 18h:24 Por Redação/EC
Evento debateu combate ao feminicídio. (Madu Livramento, Midiamax) Evento debateu combate ao feminicídio. (Madu Livramento, Midiamax)

Mato Grosso do Sul abriu nesta segunda-feira (1) a Semana Estadual de Combate ao Feminicídio. No dia estadual de combate ao crime que ceifa a vida de mulheres, entidades lembraram que o Estado possui aplicativo que identifica relacionamentos abusivos.

Em alusão à data, o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) realizou o lançamento da 4ª edição da Campanha “Você Merece Um Amor Leve”. O principal objetivo é sensibilizar a sociedade para os altos índices de violência doméstica e feminicídio no Estado.

Em MS, mais de 8,9 mil casos de violência doméstica foram registrados em cinco meses. O dado é do Monitor de Violência Contra a Mulher, do Poder Judiciário de MS.

Sua relação é abusiva?

Aplicativo disponibilizado gratuitamente faz perguntas sobre os relacionamentos. Assim, busca ajudar as mulheres a identificar se as relações possuem traços abusivos.

A ferramenta pode ser usada no celular ou computador. Não é preciso se identificar para fazer uso e o resultado aparece no mesmo momento.

Informação salva vidas

Coordenadora da Campanha do MPMS, a promotora Lívia Carla Guadanhim Bariani disse que quanto mais informação, mais vidas podem ser salvas. “Informação sobre onde procurar ajuda, como procurar ajuda, de que forma trazer essa ajuda”, destacou.

A promotora afirmou que as informações servem para toda a população. “Então, esse tipo de informação serve tanto pra mulher como para todas as pessoas envoltas, para que elas possam dar esse apoio”.

Entre as medidas que podem ser indicadas para as mulheres nestas situações de violência, citou: “Procurar a casa da mulher brasileira, delegacia, Ministério Público, Defensoria Pública, saber que a medida Protetiva pode ser solicitada sem o registro de boletim de ocorrência”.

Logo, ressaltou que “não precisa processar o agressor, mas pode ter ele afastado do lar, ele com tornozeleira e se ele descumprir essas medidas ele pode ser preso”, informou.

Centros de apoio

A promotora Renata Ruth Fernandes Goya Marinho, coordenadora do Navit (Núcleo de Apoio às Vítimas de Crimes e Atos Infracionais Violentos), destaca que existem dois pontos de apoio na campanha. São eles: o de direitos humanos e o da área criminal.

“A gente entende que esse itinerário não começa do nada. Começa com as violações ali de direitos de cidadania, vai evoluindo e escalando para atos de violência doméstica culminam no feminicídio”, explicou.

Por isso, “acompanhamos essas vítimas sobreviventes e também as vítimas indiretas”. Ao longo dos últimos três anos acompanharam mais de 200 casos acompanhados, “num somatório total de quase 1000 pessoas”, pontuou.

Renata comentou sobre o tempo para o rompimento do ciclo. “Dizem que ela vai demorar em média 10 anos [para romper o ciclo de violência]. Não é simples, então a gente não pode julgar, nenhuma mulher gosta de apanhar, nenhuma mulher gosta de sofrer”.

Logo, a alternativa é “entender minimamente isso e ter esse olhar crítico atento e empático”.

Julgamentos

A coordenadora estadual da Casa da Mulher Brasileira, Carla Stefanini, disse que em todos os casos devem “trabalhar na responsabilização”.“Tudo o que estamos vendo dos esforços é levar essa resposta para a sociedade para ver a responsabilização dos autores”, afirmou durante o evento.

Em MS, um feminicídio chegou a ser julgado em 83 dias. A coordenadora apontou “resposta célere”. “Nós precisamos de mais julgamentos a exemplo da comarca de Anastácio”.

Contudo, admitiu que estão analisando mais profundamente os dados. “Agora precisamos saber quantos são os homens processados, julgados e condenados pela Lei Maria da Penha”

Parceria com empresas privadas

Termo de cooperação de empresa privada com o MPMS deve promover a campanha em 11 cidades neste ano.

Coordenador de Relações Institucionais da Arauco, Denis Rondin disse que “esse trabalho de conscientização de sensibilização do tema de combate ao feminicídio e ao tema de violência doméstica é aberto para toda a comunidade nesses municípios”.

Midiamax

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