Seu período de gestação pode variar de quatro a seis meses. Foto: Divulgação/UCDB
Mamãe nova na área! Uma jararaca-do-cerrado — considerada a mais perigosa do Brasil — deu à luz 17 filhotes na madrugada desta terça-feira (27), na Fazenda-Escola da UCDB (Universidade Católica Dom Bosco). De espécie vivípara, seu período de gestação pode variar de quatro a seis meses, e os filhotes se desenvolvem dentro do corpo da fêmea.
O resgate da serpente aconteceu em outubro do ano passado, pela equipe do Biotério. A identificação do nascimento, contudo, pegou a equipe de surpresa e ocorreu durante a rotina diária de manejo do Biotério.
“Todos os dias, temos uma rotina de verificar as caixas e ver se as cobras defecaram no papelão, se tomaram água, trocar o pote. Hoje, quando fui fazer a vistoria desse animal, verifiquei que estava com vários filhotinhos. A gente sabia que era uma fêmea, mas não que estava prenhe”, comenta a estagiária Yasmin Domingos, responsável por encontrar os recém-nascidos.
No momento em que o nascimento ocorreu, a serpente estava na sala de quarentena, onde permanece por um período de 90 dias antes de ir para a sala de produção de veneno. Conforme Yasmin, os filhotes já nasceram totalmente aptos à sobrevivência.
Cuidados futuros
Agora, a professora Paula Helena Santa Rita, responsável pelo Biotério, explica que os cuidados com os animais já estão em andamento. “Os filhotes permanecerão em cativeiro e serão monitorados separadamente. Nos próximos sete dias, eles estarão em observação, recebendo os cuidados necessários de umidade, de temperatura, recurso hídrico e, muito em breve, alimentação. A mãe também continuará sendo monitorada, vai passar por ultrassom, vai receber suplementação”, destacou.
Além disso, Paula comenta que a ‘nova família’ será muito importante para a pesquisa, devido à ameaça gerada pelo interesse da indústria farmacêutica na espécie. “É possível, quando se tem um nascimento em cativeiro, você estudar toda essa dinâmica do veneno desses animais, inclusive com componentes exclusivos, que podem ocorrer no período de filhote da espécie. Para a pesquisa, é de grande valia”, completa.
‘Maternidade de serpentes’
Esta, contudo, não é a primeira vez que a situação ocorre. Além da jararaca-do-cerrado, uma jararaca-caiçara deu à luz 13 filhotes no Biotério da UCDB, em 2011. Mais uma vez, Paula Helena, responsável pelo local, presenciou o nascimento de outra espécie ameaçada na fauna brasileira.
O veneno da jararaca pode ser utilizado na fabricação de medicamentos para o tratamento de hipertensão, bem como na realização de pesquisas para remédios.
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