Nipah causou novo surto na Índia. (Foto: Ruslanas Baranauskas, Divulgação)
O Ministério da Saúde da Índia divulgou novas informações sobre o surto do vírus Nipah na noite desta terça-feira (27). Conforme o órgão, “apenas dois casos confirmados da doença foram registrados em Bengala Ocidental desde dezembro do ano passado até o momento”.
Com isso, o Ministério da Saúde indiano afirmou que foi alcançada uma “contenção oportuna” do vírus. “Esclarece-se que, de acordo com relatórios recebidos do NCDC (Centro Nacional de Controle de Doenças), apenas dois casos confirmados da doença pelo vírus Nipah foram registrados em Bengala Ocidental desde dezembro do ano passado até o momento”, disse a nota.
“Foram intensificadas a vigilância, os testes laboratoriais e as investigações de campo por meio de esforços coordenados entre as agências de saúde centrais e estaduais, o que garantiu a contenção oportuna dos casos”, afirmou o ministério.
Antes disso, uma nota anterior do departamento de Saúde de Bengala Ocidental tinha falado em cinco casos entre médicos e enfermeiros de um hospital na cidade de Barasat. Esses profissionais estariam recebendo tratamento na capital do estado, Calcutá.
Já a nota do Ministério da Saúde do país afirmou que “um total de 196 contatos ligados aos casos confirmados foi identificado, rastreado, monitorado e testado. Todos os contatos rastreados foram considerados assintomáticos e testaram negativo para a doença pelo vírus Nipah”.
Segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde), a letalidade do vírus Nipah pode chegar a 75% dos casos.
O que diz o Ministério da Saúde do Brasil
Para o Ministério da Saúde do Brasil, o risco de haver uma pandemia com o vírus Nipah (NiV) é considerado baixo, mesmo que ele esteja classificado pela OMS como de alta patogenicidade, conforme nota encaminhada à Veja Saúde.
A pasta ainda destacou que os países “possuem protocolos de emergência para rápida detecção e controle de surtos, com acompanhamento de especialistas coordenado pela OMS”.
No caso do Brasil, o ministério acrescentou: “o Ministério da Saúde do Brasil mantém protocolos de vigilância e resposta de emergência para agentes altamente patogênicos, em parceria com instituições como o Instituto Evandro Chagas e a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz), com participação da OPAS (Organização Pan-Americana da Saúde)”.
Origem
Identificado pela primeira vez em 1999, durante um surto entre criadores de suínos na Malásia, o Nipah foi registrado posteriormente em Bangladesh em 2001 e, desde então, surtos quase anuais têm sido notificados no país. A doença, segundo a OMS, também vem sendo periodicamente identificada no leste da Índia, onde fica Bengala Ocidental, epicentro do surto atual.
“Outras regiões podem estar em risco de infecção, visto que evidências do vírus foram encontradas no reservatório natural conhecido (morcego do gênero Pteropus) e em diversas outras espécies de morcegos em vários países, incluindo Camboja, Gana, Indonésia, Madagascar, Filipinas e Tailândia.
Transmissão
Durante o primeiro surto reconhecido do Nipah, na Malásia, e que também afetou Singapura, a maioria das infecções humanas resultou do contato direto com porcos doentes. Acredita-se que a transmissão tenha ocorrido por meio da exposição desprotegida às secreções dos porcos ou pelo contato desprotegido com a carcaça de um animal doente.
Em surtos subsequentes, em Bangladesh e na Índia, o consumo de frutas e produtos derivados, como suco, contaminados com urina ou saliva de morcegos frugívoros infectados pelo vírus foi a fonte de infecção mais provável. A transmissão do vírus de pessoa para pessoa também foi relatada entre familiares e cuidadores de pacientes infectados, por meio do contato próximo com secreções e excreções humanas.
Em Siliguri, na Índia, em 2001, a transmissão do Nipah também foi relatada em uma unidade de saúde, onde 75% dos casos ocorreram entre funcionários ou visitantes do hospital. Entre 2001 e 2008, cerca de metade dos casos relatados em Bangladesh foram causados por transmissão de pessoa para pessoa, através do atendimento a pacientes infectados.
Sinais e sintomas
Segundo a OMS, pacientes infectados desenvolvem inicialmente sintomas como:
febre;
dor de cabeça;
mialgia (dor muscular);
vômitos;
dor de garganta.
Os sintomas que podem vir a seguir são:
tonturas;
sonolência;
alteração do nível de consciência;
sinais neurológicos que indicam encefalite aguda.
Algumas pacientes também podem apresentar pneumonia atípica e problemas respiratórios graves, incluindo síndrome do desconforto respiratório agudo. Encefalite e convulsões ocorrem em casos graves, progredindo para coma entre 24 horas a 48 horas.
O período de incubação do Nipah (intervalo entre a infecção e o início dos sintomas) varia de quatro a 14 dias, mas já foram relatados períodos de incubação de até 45 dias.
Ainda de acordo com a OMS, a maioria das pessoas que sobrevivem à encefalite aguda causada pelo vírus se recupera completamente, mas sequelas neurológicas de longo prazo foram relatadas em cerca de 20% dos sobreviventes, incluindo distúrbios convulsivos e alterações de personalidade.
Um pequeno número de pessoas que se recuperam posteriormente apresenta recaída ou desenvolve encefalite de início tardio.
A taxa de letalidade do Nipah é estimada entre 40% e 75% e pode variar conforme o surto, dependendo da capacidade local de vigilância epidemiológica e de manejo clínico de pacientes.
Diagnóstico
Como os sintomas iniciais da infecção são inespecíficos, o diagnóstico, muitas vezes, demora, o que comumente gera desafios na detecção de surtos, na implementação de medidas eficazes e oportunas de controle da infecção e nas atividades de resposta a surtos do Nipah.
A infecção pode ser diagnosticada com base no histórico clínico durante as fases aguda e de convalescença da doença. Os principais testes utilizados são o RT-PCR em fluidos corporais e a detecção de anticorpos por meio do ensaio imunoenzimático. Outros testes utilizados incluem o ensaio de PCR e o isolamento viral por cultura celular.
Tratamento
Atualmente, não existem medicamentos ou vacinas específicos para a infecção pelo vírus, embora a OMS tenha identificado o Nipah como parte de sua lista de patógenos com potencial de desencadear uma epidemia. A recomendação da entidade é que os pacientes sejam submetidos a tratamento intensivo de suporte para complicações respiratórias e neurológicas graves.
Hospedeiros
Morcegos frugívoros da família Pteropodidae, sobretudo espécies que pertencem ao gênero Pteropus, são classificados pela OMS como hospedeiros naturais do Nipah. Não há sinais aparentes da doença nesses animais.
Os primeiros surtos do vírus em suínos e em outros animais domésticos, como cavalos, cabras, ovelhas, gatos e cães, foram relatados durante o surto inicial na Malásia, em 1999. O vírus, segundo a OMS, é altamente contagioso em suínos.
“Um suíno infectado pode não apresentar sintomas, mas alguns desenvolvem doença febril aguda, dificuldade respiratória e sintomas neurológicos, como tremores, espasmos e contrações musculares. Geralmente, a mortalidade é baixa, exceto em leitões jovens”, diz a OMS.
Os sintomas, de acordo com a entidade, não são muito diferentes de outras doenças respiratórias e neurológicas que também afetam suínos. A orientação é suspeitar de infecção pelo Nipah caso os suínos também apresentem tosse incomum ou se houver casos de encefalite em humanos registrados na região.
Prevenção
Na ausência de uma vacina, a OMS avalia que a única maneira de reduzir ou prevenir a infecção pelo Nipah em pessoas é aumentar a conscientização sobre os fatores de risco, além de educar a sociedade sobre medidas a serem tomadas para reduzir a exposição ao vírus.
Segundo a entidade, as mensagens educativas de saúde pública devem focar em:
reduzir o risco de transmissão de morcegos para humanos;
esforços para prevenir a transmissão, que devem se concentrar, em primeiro lugar, em diminuir o acesso de morcegos à seiva de produtos alimentares frescos;
reduzir o risco de transmissão de animais para humanos;
utilizar luvas e outras roupas de proteção ao manusear animais doentes ou seus tecidos, e durante procedimentos de abate e eliminação;
reduzir o risco de transmissão de humano para humano;
evitar o contato físico próximo e desprotegido com pessoas infectadas pelo vírus.
A lavagem frequente das mãos deve ser realizada após cuidar ou visitar pessoas doentes”, concluiu a OMS.
*Com informações da Agência Brasil.
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